So long, and goodnight

Saturday, June 9th, 2018

Não queria deixar nada em branco. Nem que achassem que meu último post teve algo a ver com isso.

Eu odeio maus entendidos e odeio maus finais.

O mais recente lembrete que tive de que minha missão havia sido cumprida foi quando meu padrasto tentou me “exorcizar” pra ver se eu falando que sou trans não era algum espírito me controlando.

Não foi a intenção dele, mas eu vi uma luz. Um ser de luz, sorrindo pra mim. Ele me agradeceu. Disse que as coisas não saíram muito bem como o planejado, que minha mãe engravidou e ainda não era hora pra minha irmã vir a terra, e eu vim primeiro. Mas minha mãe estava destinada a ter uma filha mulher como primogênita, e assim cheguei. Mas agora já estava tudo bem, eu aguentei bem, e minha irmã já estava aqui. Eu estava livre pra ser eu mesmo.

Na hora eu tomei a mensagem como algo diretamente relacionado a minha transição, como um “OK” dos céus confirmando que eu não tava louco, que eu sou mesmo um garotinho. Mas talvez não fosse só isso.

Talvez essa fosse minha única missão, e aquilo foi um “OK” de “você fez muito bem, obrigado!”.

Eu sempre me senti como um… “NPC”. Aquele bonequinho não-jogavel que você vai falar com ele pra pegar missão ou pra ver pra que lado você tem que ir. Ou pra comprar skills. Eu sempre vi isso como quem eu sou. Por isso talvez tivesse vontade de trabalhar como garçom a vida toda, ou por isso que gostava tanto de trabalhar na Starbucks e em outras cafeterias. Era gostosinho, pegar pedidos, cobrar, entregar, pessoas vindo até mim com um objetivo e saindo com ele cumprido. E eu sempre me vi sendo assim pra tudo na vida.

As pessoas vinham a mim procurando sermões, ajuda, dicas. Eu dava, e elas saiam mudadas. Decididas. Determinadas a resolver.

As pessoas vinham a mim perdidas, e eu lhes mostrava possíveis rumos.

As pessoas vinham a mim sozinhas, e eu lhes dava amigos e amores, as vezes os meus próprios.

Pessoas vinham a mim pra chegar em outras pessoas. Pessoas vinham a mim pra se sentirem melhor. Pessoas vinham a mim pra carinho provisório, pra passar o tempo, pra esquecer os outros. E eu sempre cumpri minha função muito bem.

Talvez a maturidade e a vontade de ser eu mesmo seja o que me estragou. Eu comecei a ter sentimentos demais, a me importar demais. Eu comecei a achar demais.

Talvez também eu tenha demorado demais pra tatuar “esperança” e “ridiculous doesn’t matter” no meu braço, e eu tenha esquecido um pouco do significado delas.

Eu devia ter me mantido aquele poço de fogo gélido que eu era quando adolescente. Aquela criaturinha que era odiada e não ligava, que magoava os outros e dizia “não tem nada a ver comigo” e “ficou assim porque quis”. Eu lidava melhor com sentimentos e com os outros, e realmente não ligava se me odiassem depois. Eu acreditava e confiava que “quem me conhece me entende”, mas tive provas demais de que isso não é verdade.

Eu não crio expectativas, nem criei. Mas eu tenho um senso de equilíbrio que as vezes me cutuca. De fazer coisas boas e esperar coisas boas em retorno. E também de fazer coisas boas em retorno das pessoas que fazem coisas boas por mim. Não conseguir ou não saber como retribuir me deixa derrotado. Dever coisas as pessoas me deixa com medo. Eu tenho medo das pessoas com as quais tenho débitos. Eu morro de medo delas. Mas não consigo nem tenho coragem de cobrar pessoas que devem coisas a mim.

Hoje em dia eu não consigo mais ajudar os outros. Eu só consigo falar do que eu passei e como eu passei, e tentar fazer com que ninguém vá pros caminhos que eu fui. Eu me afasto das pessoas quando começo a me apegar. Eu fujo dos sentimentos porque eu sinto demais. E ninguém aguenta sentimento demais.

Toda vez que eu demonstro um frasco da minha atração por alguém, a pessoa se afasta. Toda vez que eu escondo a falta de sentimentos por alguém, a pessoa fica perto. Eu queria só não sentir nada de novo. Era legal, mais fácil.

Mas aí eu percebi outra prova de que eu não tenho mais serventia pra nada.

Ninguém precisa de mim. Não mais.

Todas as pessoas que precisaram de mim alguma vez já estão bem e endireitadas. Vivas e com futuro e potencial. Fazendo o que gostam ou algo perto disso. Eu virei só um adendo. Alguém que fez alguma coisa. Um nomezinho no fim dos créditos.

Eu cumpri meu propósito. Eu fui aquele personagem coadjuvante que ajudou todos os heróis a chegarem na próxima fase. Aquele que fez pezinho pra todo mundo subir e não tinha ninguém pra ajudar depois. Aquele que fica segurando a ponta da corda pra todo mundo passar. No final, eu não tô no time. Eu não apareço na fase dois, e não tenho filme solo.

Eu fiz a história seguir.

Eu cumpri meu papel. Agora não tem mais nada pra mim aqui.

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Descubra

Friday, June 8th, 2018

O que significa?

O que significa pra você, falar que dentro do seu gosto de beleza, eu sou bonito?

O que significa pra você, me chamar de fofinho e bonitinho?

O que significa pra você, a quantidade de abracinhos e a dificuldade que tivemos de nos despedir?

O que significa?

Por favor, entenda e me explique com todas as letras, porque eu não sei mais o que eu deveria ou não entender.

Chicote

Wednesday, May 9th, 2018

Ainda não consegui nem responder, nem superar aquela frase. Eu venho tentando gastar minhas lágrimas (intencional ou não intencionalmente) com qualquer coisa que não seja pensando em você. Vi aquele filme que saiu há pouco, duas vezes, chorei muito. Eu me permiti chorar por aqueles heróis, me permiti sofrer por eles. Porque como antes mencionei, meu amor está dissipado, solto, tentando se agarrar a qualquer coisa. Qualquer coisa com alguma memória, com alguma ligação emocional, com algum papel no meu passado. As coisas mais recentes estão meio soltas. Posso direcionar o raio até elas, mas é como se não conseguisse dar lock, sabe? Não fica constante.

Me sinto como aqueles ataques de alguns vilões ou heróis onde o personagem é envolto por uma redoma de chicotes enraivados se movendo rápido demais de forma completamente descoordenada, servindo de escudo. Mas não são chicotes que buscam ferir, são chicotes que buscam apenas agarrar os alvos. Alguns conhecidos são pegos, alguns são atingidos mas não pegos. Alguns se enfiam no meio mas não são nem tocados. E eu continuo encolhido no epicentro, as vezes olhando pra cima e vendo apenas as pessoas agarradas pelos chicotes e sentindo… Gratidão. E tento soltá-las, por não querer ferí-las. Por não querer tocá-las com minhas mãos, apenas com os chicotes. Apenas com palavras e imagens. Sem toques.

Recentemente tenho tido mais ataques de pânico e crises de ansiedade do que nunca. Todo dia de manhã. Sempre que tento sair de casa. Sempre que penso em alguma atividade que fazíamos juntos. Sempre que penso em ir em algum lugar que íamos juntos. As vezes no meio de estações de metrô que passávamos constantemente. Se não estiver com fones de ouvido e músicas no máximo, eu entro em transe e meus olhos enchem de lágrimas. Mas eu tento ser forte, todas as vezes. Eu venho tentando não pensar nessas coisas, usando pra mim mesmo o motivo de que você com certeza vai estar melhor assim. Porque o motivo desse afastamento foi para que eu não lhe fizesse sofrer… Ou pelo menos que você sofresse o mínimo possível. Eu fiz essa escolha pra te proteger de mim. Eu escolhi te empurrar pro resto da vida pra você ser feliz, porque eu queria te ver feliz, porque seu sorriso é a coisa mais preciosa no meu mundo. E eu podia ver que o único jeito de preservá-lo era mantendo-o distante de mim. Então o fiz.

Mas eu falei que não ia mais pensar em você. Que não ia deixar isso me afetar, que não ia ficar triste por isso, porque foi uma decisão que eu tomei. Eu decidi te proteger. Eu não posso chorar pelas minhas próprias escolhas. Eu não vou.

E como eu disse, não venho conseguido sair de casa. Estou sem o premium do Spotify e estava sem internet no celular. Tudo a minha volta treme, mas eu estou me esforçando todos os dias. Preciso sair, preciso seguir minha vida, preciso ficar bem, preciso viver. Mas nenhum desses pensamentos resolvem o suor, a tontura, a taquicardia quando tento sair de casa. E não é por sua causa, eu acho. Não pode ser só isso, eu estava tão bem há duas semanas atrás! Estava fazendo progresso, embora as vezes desembestasse a falar no meio de qualquer assunto e quando percebia, cortava a frase com “eu definitivamente não tô bem desculpa” e dava risada logo em seguida.

… Parando pra pensar, isso estava muito constante. Até demais. Talvez eu não estivesse bem mesmo. Nem um pouco, em nenhum momento. Talvez eu devesse tentar voltar pra esse modo, pelo menos. Melhor estar mal mantendo as obrigações do que não conseguindo fazer nada. Eu acho.

E outra vez comecei a escrever sem pensar muito no assunto e acabei falando de você.

Acho que essa é a prova de que eu não tenho como simplesmente te esquecer. Sempre que eu olhar pra dentro de mim mesmo, você estará lá. Talvez… Pra sempre.

No encuentro forma alguna de olvidarte porque
Seguir amándote es inevitable

 

 

Mixtape

Saturday, April 7th, 2018

When everything feels like the movies 
you bleed just to know you’re alive.

Nem faz tanto tempo assim, não é? Provavelmente vão me falar que é só porque é “recente demais”. Tá tudo fresco demais na minha cabeça. Mas eu já passei por isso antes, e eu também já sabia que o buraco que você preenchia em mim tem o seu formato e não é preenchido por nada mais.

Assistir ao nascer do sol no dia de hoje foi horrível, mas foi porque eu sabia que era o primeiro de muitos similares daqui pra frente. Mais um dia que eu sonho com você, acordo preocupado, te vejo vivendo e fico mal. Mal porque eu não to participando de nada disso. Porque você não me quer como amigo. Porque você sempre tira do nada “amigos que te protegem das mancadas do tipo beber e mandar mensagem pro ex” e mesmo falando que não ia me bloquear de tudo, acaba bloqueando.

Eu já passei por isso.

Eu já passei por ter que revisitar todas as minhas contas abandonadas e alternativas em redes sociais pra poder ver como você tá. Pra tirar o peso do coração, pra ter certeza que você ainda tá vivo. Já me basta um trauma de relacionamento terminar de forma que foge do meu controle racional e eu nunca mais saber se a pessoa tá viva. Não quero que isso aconteça mais, principalmente não com você. Já passei por isso enquanto estávamos juntos, não quero passar por isso sem poder te ver no dia seguinte. Não quero não poder te ver no dia seguinte.

E aquela música começa a tocar de novo, e toda vez que eu a ouço eu entendo ela de forma diferente. Uma vez, imaginava você saindo com outra pessoa. Outra, me via finalmente saindo de um ciclo vicioso. Dessa vez eu vi aquelas meninas interagindo com você e dizendo que “amigo tá aqui pra isso”. Eu passo pela letra de novo e de novo e a imagem de você saindo com outra pessoa e sendo feliz e essa pessoa esfregando isso na minha cara fica cada vez mais firme. Meu estômago está revirado, e está tudo na minha cabeça. Eu não consigo mais olhar, está me matando. Ciúme. Tornar santos em mar. Nadar em canções doentias. Se enforcar em seus álibis.

Mas é o preço que eu pago, o destino está me chamando. E eu sei que é isso mesmo. Eu sei que não dava pra continuar do jeito que estava, eu sei que não… Mas eu não queria. Eu quero seguir em frente, eu quero continuar vivendo e evoluindo, eu quero seguir pra me tornar um novo eu, mas eu queria poder fazer isso tudo ao seu lado… Eu sei que não tinha como, mas eu queria…

In your house I long to be
Room by room patiently
I’ll wait for you there, like a stone
I’ll wait for you there alone

Nos últimos dias eu também andei pensando em como vai ser quando eu for na sua casa. Quando eu for lá fazer outras coisas, que eu sei que você não vai estar lá de qualquer jeito e eu provavelmente não vou entrar no resto da casa, mas eu imagino o anseio. A dor que eu vou sentir, de novo, por não fazer parte do seu núcleo. Por não poder ir no seu quarto, deitar na sua cama, te ouvir tocando violão.

I’d be damned, Cupid’s demanding back his arrow
So let’s get drunk on our tears
.
 Eu não sei o que fazer sem você, essa é a verdade. Eu achei que ficaria bem, que conseguiria ocupar esses buracos que você deixou na minha vida com outras coisas, mas eu não consigo. Posso cobrir, mas nunca preencher. Eu sempre vou sentir falta de você. Eu sinto falta da sua companhia pra sair. Da sua companhia pra jogar. Da sua companhia pra ficar sem fazer nada. Da sua companhia pra conversar, pra mandar bom dia, boa noite, pra se preocupar se eu comi, pra me fazer sair de casa, pra me incentivar a me cuidar. Eu não tenho vontade de fazer nada disso sem você. Eu não tenho vontade de ficar bem. Eu quis me machucar, mas eu precisava deixar meu braço saudável pra fazer aquela tatuagem que combinamos. Que você falou que iria esperar mais um tempo pra fazer. Que você já fez. Você sabia que eu não ia ter dinheiro pra fazer e quis fazer antes, não é? Você me bloqueou pra eu não saber quem que tinha feito, não é? Você achou que eu ia relevar e esquecer? Que eu não ia fazer de qualquer jeito? Eu me destruí. Por dentro, meu braço queima. As vezes que olhei pro espaço que combinamos preencher, ele queima. Anseia por verdade. Por, pelo visto, a única coisa que nos manterá juntos em essência. A idéia do gato e da raposa que eu desenhei há três anos atrás, só pra nós dois.
Me resta a esperança de que algum dia, mesmo que você não me reconheça mais, nos encontremos e você veja meu braço, e haja a possibilidade de nos encontrarmos com um sorriso.
.
Don’t you dare let all these memories bring you sorrow
(…)
Turn the page, maybe we’ll find a brand new ending
Where we’re dancing in our tears.

Aos poucos

Friday, March 23rd, 2018

Aos poucos as coisas vão acontecendo, não é mesmo?

E quando começam, não param mais. As coisas acontecendo podem ser pequenas, podem parecer ínfimas e irrelevantes, mas não param.

 

Eu entrei num momento de coisas grandes acontecendo. E eu senti esse momento vir. Eu previ sua chegada. Eu vi as coisas pequenas acontecendo e dando base pro acontecimento final. Eu sabia que era inevitável. Eu sabia que não importa o que eu fizesse, aquele era um momento e uma situação definida muito bem como ponto fixo no tempo, e que se eu tentasse ir contra ela, iria parar numa timeline completamente diferente.

 

Aconteceu. Eu sabia. Achei que estava com preparo psicológico pra isso. Achei que iria ficar bem por saber o que ia acontecer. Achei que iria ficar bem porque eu estava vendo tudo que estava acontecendo. Mas não… Doeu. Doeu muito, ainda dói.

 

O problema de você se dedicar completamente a uma pessoa num relacionamento é que você começa a fazer tudo pensando nela. Você acorda pensando nela. Você decide o que vai fazer pensando nela. Você programa seu dia pensando nela. Você supera as dificuldades do dia a dia pensando nela. Sua vida gira em torno dessa pessoa, por que você mesmo escolhe fazer isso. Ao menos, eu funciono assim. Quando eu amo alguém e ao mesmo tempo decido estar em um relacionamento com alguém, esta pessoa se torna a coisa mais importante da minha vida e tudo que eu faço é pra ela e por ela. Ou com ela.

 

Mas agora não tem nada. Eu não tenho pra quem dedicar meus dias. Minhas horas. Meu carinho.

Foi tudo por água a baixo, mas foi algo que aconteceu com conversas, com calma… Como os adultos que já somos. Foi tudo bem. Não foram brigas. Foi uma decisão, tomada entre duas pessoas conscientes de si mesmos e responsáveis….

Mas dói.

 

E vai continuar doendo, eu sei.

Porque não importa quanto tempo passe, quantos relacionamentos podem vir a ter de ambos os lados… O amor continua. O carinho continua. E eu vou continuar prezando o bem, bem-estar, felicidade e paz dessa pessoa. Pro resto da vida.

 

E provavelmente me culpando, também, pra sempre, por não saber responder.

“Por quê você voltou pra minha vida?”

Mr Brightside

Thursday, March 22nd, 2018

I’m coming out of my cage and I’ve been doing just fine 

Estive pensando muito esses dias. Desde que saí com uns colegas e descobri amizades. Relembrei de bons momentos. Estive realmente alegre por um período estendido de tempo, depois de não sei quanto. Eu não estava entendendo por quê sair com aquelas pessoas, naquela situação, havia me feito tão bem. Ou se isso tinha ligação com meu estado de espírito num geral.

Gotta gotta be down, because I want it all

Eu queria muito estar ali de novo. Eu voltei pra casa sorrindo, pensando que tinham me falado “sexta tem mais, aparece aí”. Um convite, convite de pessoas legais, que não tinham ligação nenhuma com minha vida anterior, não eram de escola ou faculdade, não eram amigos de parceiros convidando o casal. Eram só pessoas legais, me convidando pra ir tomar uma cerveja. Por quê eu estava estranhando tanto aquela situação?

-It started out with a kiss, how did it end up like this?-
-(It was only a kiss)-
It was only a kiss!

Eu me peguei imaginando coisas. Tendo vontades. Tendo interesses. Querendo mais. Me questionando, o que seria da minha vida se eu tomasse tal decisão? Ou aquela outra? Será que eu teria problema se decidisse mudar? Se eu decidisse por exemplo, ficar solteiro? Se eu tentasse um relacionamento aberto? Se eu só fizesse o que eu bem entendesse e deixasse as consequências virem depois?

(Now I’m falling asleep
And she’s calling a cab
While he’s having a smoke
And she’s taking a drag)

Ao invés de fazer alguma coisa a respeito disso, eu tomei outras decisões primeiro. Troquei de horário na faculdade. Me juntei a um coletivo LGBT. Fiz contatos. Fiz mais amigos. Saí mais vezes. Levantei assuntos dentro de um relacionamento, que ainda não sei no que vai dar. Mas algo me diz que não vai dar certo.

Now they’re going to bed
And my stomach is sick
And it’s all in my head but
She’s touching his chest now
He takes off her dress now
Let me go

E as coisas começam a complicar de novo. Com as idéias que passam na minha cabeça, o contrário começa a passar também. Eu vejo ele com outras pessoas. Fazendo o que fazemos, com outras pessoas. Amando outras pessoas. E isso não me causa nada. Eu dou de ombros e penso: “Se ele estiver feliz com isso”. Meus sentimentos passaram dos sentimentos de um relacionamento amoroso. Subiu pro nível de melhor amigo. Subiu, sim, porque raramente um namoradx meu teria um título de melhor amigo. Pelo menos, não até agora. Quando eu gosto tanto assim de alguém, eu fico completamente desprendido da pessoa, porque eu confio plenamente nela. Mas por outro lado, eu também sinto a necessidade de me desprender. Eu sinto necessidade de me descobrir de novo. Afinal de contas, estamos juntos a quanto tempo? E olha tudo que eu estou passando, a transição, tudo isso… É muita mudança…

And I just can’t look, it’s killing me
And taking control

E então me pego me olhando no espelho, pela milésima vez. Toda vez que passo na frente do espelho eu paro pra olhar pra mim mesmo. Não pra ajeitar o visual, não sou desses. Mas pra olhar pra dentro e fora de mim. Pra tentar me reconhecer. Eu me reconheço melhor do que antes, mas ainda falta algo. Eu não consigo olhar no espelho e falar meu nome com propriedade. Meu novo nome não tem o mesmo passado que o outro. Eu sei que independente de transição, eu ainda vou ser a mesma pessoa. Ainda vou ter passado por tudo que passei. Ainda vou ter conhecido todas as pessoas que conheci. Ainda vou ter estudado nas mesmas escolas, trabalhado nas mesmas lojas, ido pros mesmos lugares. Mas essa nova identidade, essa que não é uma máscara que eu visto pra sair de casa, essa que finalmente me deixa ser eu mesmo e não uma fantasia que vesti pra agradar os outros… Esta nunca foi a uma festa. Esta nunca teve alguém sentindo atração por si. Esta nunca se atraiu por ninguém. Esta nunca esteve em uma briga. Esta nunca havia tomado uma cerveja no bar com os amigos. Esta… Esta nunca beijou.

{Jealousy}
Turning saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your alibis

Trazer estes assuntos e pensamentos a tona não trouxe nenhuma vantagem. Houveram discussões, conversas, negociações, mas não mudou nada. Eu continuo querendo me descobrir, e ele continua querendo me acompanhar do jeito dele. Mas se não for do jeito dele, ele vai embora. Eu não sei dizer se é o melhor momento pra quebrar essa barreira. Eu quero mais. Eu quero seguir minha vida e minhas vontades, minhas urgências, minha liberdade. A liberdade que eu achei que tinha ao sair da casa dos meus pais, mas percebi que não tinha. Eu quero ficar na rua até tarde e fodasse meu compromisso do dia seguinte. Eu quero sair com meus novos amigos e fodasse o que vão pensar disso. Fodasse se gostam deles ou não. Eu sei que ele não vai gostar.  Mas eu quero ignorar. Eu quero viver por mim, e só por mim. Mas eu não tenho coragem de ser aquele que vai acabar com isso. Eu o amo e o prezo tanto que não quero ser aquele que o vai fazer sofrer. Eu não queria, na verdade, que ele se afastasse. Mas ele diz que não há outro jeito…

But it’s just the price I pay

Eu continuo sem tomar nenhuma decisão quanto a isso, mas também continuo seguindo em frente. Eu sei o que eu quero, mas também sei o que eu não quero. Eu sinto que estou apenas prorrogando coisas inevitáveis. A sensação de que algo muito grande vai acontecer ainda não sumiu… E ela vem andando comigo já faz uma semana. Mas toda noite, quando olho pro céu, é como se algo me chamasse. Um chamado pacífico, de conformidade, como um cobertor quentinho após sobreviver a uma tempestade. E embora de tempo em tempo a ansiedade me alcance, eu ainda tenho um quentinho no peito me dizendo que no fim, só vai acontecer aquilo que for melhor. Pra mim, pra ele, pra quem se fizer presente na minha vida.

Destiny is calling me
Open up my eager eyes


Cause I’m Mr. Brightside

Vazio

Wednesday, December 20th, 2017
Antigamente eu costumava me perguntar “o que que eu fiz de errado”. Hoje em dia eu só agradeço por mesmo tão longe, mesmo depois de tanto tempo, ainda existirem pessoas que me vêem por quem eu sou e tentam me entender antes de apontar dedos, fazer acusações ou colocar opiniões em mim as quais eu, literalmente, nunca tive.
Hoje eu agradeço pelas poucas pessoas que me vêem como um ser humano antes de pensar no que que os outros acham. Que me vêem como um ser humano antes de julgar com quem eu ando. Que me vêem como um ser humano antes de apontar dedos ao que eu faço.
E, se eu me for, quando eu me for, é pra essas pessoas que eu vou agradecer o tempo que estive aqui. Porque foi por causa delas, e exclusivamente delas que eu aguentei por tanto tempo.
Hoje o dia está chuvoso, com vento forte, raios e trovões. Eu costumava chorar e me desesperar sempre que ouvia trovões muito altos. Ainda acontece quando não estou de fones de ouvido. Mas hoje, eu os ouço e mesmo que o mesmo medo e memória de destruição e ruína me atinjam, eu os abraço. Que venha. Por favor, venha. Acabe com tudo de forma rápida e desastrosa, e que culpem tudo a um desastre natural.
Por favor, tire de mim o que eu não tenho coragem de tirar.

Until…

Thursday, November 23rd, 2017

Sometimes, in life, confusion hits me.

It gets me right in the head, sometimes spreading across my heart… And when I less expect it, I’m drowning in it and things are happening around me without giving me a chance to understand.

People around me are having thoughts. Feelings. Ideas. Sometimes even trying to think for me. Saying they know why I’m acting “weird”. But they don’t.

They can’t know. I’m the only one who can possibly understand why I’m “acting weird”. And I don’t think I’m acting weird, I don’t even see where I’m being different.

Is it because I feel like staying a couple feets away from everyone? Because I don’t want to be cuddly and warm like “I used to be”? But again, what’s the problem? Can’t I have a moment of being alone with myself? I don’t feel like I’m changing. I feel like I’m lonely in a different level.

I don’t carve for physical contact anymore. It’s obsolete. I need something else.

I need the care. The love. That sort of affection that’s so pure that people don’t even realize they’re being super adorable or extremely kind. When they do things for you for the sole purpose of seeing you smile once more, and only that. Because their true aim is making you happy, and not some second, or third intentions. Those people don’t need you to be theirs. They don’t need you to fullfill some kind of requirement to make them happy too. They’re just happy for you to exist, and you’re happy for them too.

That kind of true, pure love that most ignore these days. The love I feel, and many, many times, I get disappointed because I take too long to realize I’m not being retributed. To realize that no matter how much I sacrifice myself on the purpose of seeing the other person happy, they will never retribute because they don’t feel the same. Because they don’t recognize what I tend to do as something I do for them, but as something stupid.

I need someone to do that for me.

I need someone who can see all my little, important gestures of love and affection, and I want to suffer over cuteness and adoration over someone who does the same for me. Someone who calls me worried on the morning because they spent the night worried if I got home safely last night. Someone who runs off on the rain because didn’t want me to wait too long. Someone who comes see me with cookies and hot cocoa on a rainy day because I’m sick and stuck on bed. Someone who can’t help but smile while talking to me. Someone who shares tears and smiles with me and laughs at the past and everything we’ve been through.

But… I can’t just let go of everything and go after that.

I have some things I need to do. I have some things I need to finish. I have a dream I’m chasing after. I need to focus on those objectives and survive until I reach the goal.

I’m living a though quest and I need to move on. If that person exists… If this person is out there, hidden inside someone… I have to believe our paths will cross while I’m fighting to be who I wanna be.

I know you’re out there. I’m rooting for you.

I hope we’ll meet when we’re at our best.

It’s been so long

Tuesday, October 31st, 2017

I’ve been away from all my writing exercises… I’ve been reading a lot, watching a lot, playing a lot, but my creativity for writing has been numb for months. I’ve been itching to do something again, and now I decided I’ll force myself to. I set a playlist and started writing whatever comes to my mind.

I’ve also been reading the posts I made here and man, do I write good stuff. I like what I write, I wish I had the same opinion about my drawings. Or my singing, even though people say I do sing well. I think there’s something missing in both of it. I must search for what I have on what I write that I don’t on the other two.

I’ve been well, I guess. Some difficulties, some big decisions, some solutions I’ve been searching for long…

I like to write in english. And I’ve realized it’s because I can avoid gender so well while doing so, wich I often fail to do in portuguese because of language limitations. It’s sad. But at least I got this escape route, this tool on my hand.

Well, I’m forcing myself to write again, that’s the point.
Maybe something good comes of it again.

See you soon.

Monstros

Monday, June 26th, 2017

As vezes eu gostaria de verdade que alguns tipos de sentimentos negativos não existissem; Tipo orgulho e ganância e… Egocentrismo, sei lá. Queria que houvesse mais empatia no ser humano. Que que fosse possível falar “pra mim isso e isso é importante então eu preciso fazer assim é assado” e o outro entendesse, ou a simplicidade de um falar “eu não gosto disso” e o outro falar “ok, não vou mais fazer isso com/perto de você”… Mais simples ainda, alguém falar “isso me machuca muito” e o outro pedir desculpa.
Parece simples colocado em palavras mas é quase impossível colocado em prática na sociedade atual. Falar algumas dessas coisas só resulta em gente te atacando mais, rindo da sua cara ou te chamando de falso… No menos, te chamar de ingênuo e sair andando.

O ruim de verdade é quando se leva essa filosofia de amor e respeito e empatia mas o mundo a sua volta não ajuda. Você acaba se poluindo também. E é uma poluição que vem de dentro na maioria das vezes. Familiares, amigos, namorados, colegas de quarto, colegas de sala… E aí você, que sempre se esforça pra estar sempre de boa explode uma vez e ninguém aje com você do jeito que você agiu com elas o tempo todo.

O problema é que elas tingem uma imagem tão feia de você depois disso que não importa o que você faça, eles espalham isso ao redor. E você vai ficando cada vez mais excluído daquele mundinho ao redor daquelas pessoas sem nem ter chance de se comunicar. Pessoas começam a ter imagens tingidas de você sem nem te conhecer.

As vezes eu vejo umas pessoas falando coisas de mim com tanta certeza que eu só me afasto mesmo. Gente que nunca conversou comigo. Eu só procuro que outra ligação elas tem, as vezes só de ver um amigo em comum eu já sei que a pessoa vai ser ignorante comigo e não dá outra.
E é uma galera que não se esforça pra ser simpática sabe? Já chega te olhando feio e deixando claro que você não é bem vindo.

Isso me deixa muito mal.

Eu luto, por dentro, pra não deixar isso me fazer desistir das coisas. Mas se tem algo que drena toda minha força de vontade, são pessoas assim. E elas são mais frequentes em volta de mim do que eu gostaria de admitir.

Pouco a pouco minha força vai acabando e eu fico mal de novo. E aí quando vou ver, eu não tenho mais coragem de falar nada com ninguém com medo de incomodar, com medo do que elas pensam sobre mim, com medo do que elas ouvem sobre mim.

Esse monstro me persegue nos meus sonhos, mesmo que eu diga a mim mesma todo dia que está tudo bem, que eu passe o dia inteiro sem pensar nisso, mesmo que eu ganhe um boost de auto-confiança por algum motivo… Eles sempre voltam a noite.

Eu deito na minha cama, e eles estão lá.

Todos eles. Me encarando.

Me odiando.